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Pelos caminhos da literatura

“A cegueira também é isto, viver num mundo onde se tenha acabado a esperança" - José Saramago

Pelos caminhos da literatura

“A cegueira também é isto, viver num mundo onde se tenha acabado a esperança" - José Saramago

Svetlana Alexievich

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Hoje resolvi falar de Svetlana Alexievich. É uma escritora/jornalista bielorrussa, que ganhou o Prémio Nobel da Literatura em 2015 pelos seus relatos de histórias reais, sobre diversos assuntos. De certa forma ela não escreveu os livros, visto que são relatos de outras pessoas, ela apenas editou esses mesmos relatos, para que conseguisse reuni-los em formato de livro. 

 

O primeiro livro que vêem na fotografia, "Vozes de Chernobyl", são testemunhos de pessoas que viviam na área circundante a Chernobyl, onde aconteceu o acidente com um reactor nuclear no ano de 1986. O livro relata os testemunhos de pessoas que foram afectadas pelas particulas radioactivas e que, de forma directa ou indirecta, tiveram a sua vida alterada, desde problemas de saúde, a problemas psicológicos.

 

O segundo livro, e o meu preferido, "A Guerra não tem Rosto de Mulher", trata da versão da II Guerra Mundial, pelo relato de mulheres que partiram para a frente de batalha e fizeram exactamente o mesmo trabalho que os homens. Existem testemunhos de médicas, enfermeiras, sargentos, pessoas que conviveram de lado com a guerra e a morte. É o meu livro preferido da escritora porque, para além de ter sido o primeiro que li dela, trata também de um assunto que gosto bastante de estudar, a II Guerra Mundial. Recomendo vivamente a leitura deste livro, para também se perceber a visão das mulheres nas guerras.

 

O terceiro livro, "As Últimas Testemunhas", fala sobre as crianças que viveram a sua infância durante a II Guerra Mundial. A maior parte dos relatos são de crianças que ficaram orfãs durante a guerra, no entanto há também alguns relatos de crianças que, depois da guerra, reencontraram os seus pais, ou pelo menos um dos pais. Também gostei bastante deste livro, pois tanto este como o acima citado, relatam histórias de visões que anteriormente ninguém se lembraria em abordar, o lado das crianças e das mulheres na guerra.

 

"Rapazes de Zinco", fala sobre os soldados que lutaram na guerra do Afeganistão, quando a União Soviética invadiu o país.O livro tem este nome porque, quando os soldados morriam na guerra e eram repatriados, eram transportados em caixões de Zinco. De certa forma eu entendi o título como uma crítica a esta guerra, e segundo a opinião que a escritora também dá, em todos os livros, a maioria dos soviéticos eram contra a guerra do Afeganistão. 

O livro relata não só testemunhos de soldados que estiveram presentes na guerra, como também de pais que perderam os seus filhos na guerra. É um livro triste de ler, mas que vale a pena.

 

Por último, mas não menos importante, "O Fim do Homem Soviético", são relatos de pessoas que viveram a queda da União Soviética, e como a sua vida mudou a partir daí. Há relatos de pessoas bielorrussas, ucranianas, moldavas, russas, de todos os países da ex-União Soviética. 

O livro revela o que as pessoas sentiram acerca da mudança nos seus países, o que sentiam quanto aos seus lideres e quanto ao partido que regia a União Soviética, o Partido Comunista.

É também um livro importante para perceber o lado dos habitantes naqueles países, onde a mudança de regime significou também uma mudança significativa na qualidade de vida, existem relatos de pessoas que passaram fome, depois do ano da queda da URSS.

 

São livros bastante bons, pelo menos eu achei, e de leitura fácil. Têm o meu selo de aprovação :)

 

Espero que tenham gostado e que esta publicação vos desperte curiosidade para ler algum livro desta escritora.

 

Até ao próximo post :)

 

 

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